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Origin of biomolecular Asymmetry

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Folha de S.Paulo, Brazil, 28.3.2002


Tijolos da vida podem existir no espaço 

 SALVADOR NOGUEIRA
 da Folha de S.Paulo

 Talvez a vida esteja limitada ao planeta Terra, mas uma coisa é certa: os tijolos que a formam estão em toda parte. Dois estudos publicados hoje demonstraram que aminoácidos, as peças básicas que compõem as proteínas, responsáveis por praticamente tudo dentro dos organismos, podem se formar no espaço interestelar.

 "Como esses aminoácidos se formam nas densas nuvens onde os sistemas solares são feitos, isso significa que, onde quer que haja sistemas solares em formação, haverá aminoácidos literalmente caindo do céu", diz Max Bernstein, do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa (agência espacial dos EUA), primeiro autor de um dos experimentos, relatados na edição de hoje da revista "Nature".

 O outro estudo, conduzido por um grupo europeu, apresentou resultados parecidos. O que as equipes fizeram foi recriar o ambiente da nuvem que formou o Sistema Solar em laboratório.

 "O experimento é uma simulação muito precisa. Reproduzimos a temperatura [de -263ºC a -258ºC] usando uma 'geladeira' que usa hélio, o vácuo com uma grande bomba, e usamos as moléculas nas proporções em que são observadas em protoestrelas [nuvens achadas pelos astrônomos nas quais o processo de formação estelar ainda não terminou]", disse Bernstein à Folha, por e-mail.

 Quando exposto à radiação ultravioleta existente no meio interestelar, os pequenos flocos de gelo e poeira colocados dentro do equipamento começaram a originar aminoácidos (moléculas complexas baseadas em carbono) a partir de compostos simples.

 O grupo americano observou a formação de três deles. Já a equipe européia, usando menos água em sua mistura, encontrou nada menos que 16 aminoácidos. Vale lembrar que só há 20 conhecidos.

 Evidências antigas Já havia evidências de que esses compostos podiam se formar no espaço, principalmente pelo fato de já terem sido encontrados em diversos meteoritos caídos na Terra. Acontece que, na maioria dos casos, as rochas que caem no planeta se originaram de outro objeto, de dimensões maiores.

 Como ninguém tinha visto o processo de formação de aminoácidos acontecer nas condições encontradas no meio interestelar, não era possível descartar a hipótese de que as moléculas achadas nos meteoritos teriam se formado antes que as rochas fossem arrancadas de seu astro principal.

 Agora que a hipótese dos "aminoácidos espaciais" foi confirmada, os pesquisadores querem observar o fenômeno in loco - ou seja, no espaço. Para isso, várias sondas estão sendo construídas, mais notavelmente a Stardust, americana, e a Rosetta, européia.

 Elas vão analisar o pó dos cometas, verdadeiros fósseis do Sistema Solar, procurando, entre
 outras coisas, os tais aminoácidos. "Esse trabalho que publicamos na verdade foi planejado para testar a instrumentação da Rosetta", diz Uwe Meierhenrich, da Universidade de Bremen, na Alemanha. "Nosso trabalho futuro inclui a análise de material cometário visto pela Rosetta. E esses resultados deverão ser ainda mais interessantes que nossa simulação."
 



Last updated October 2002